Foto: Renan Mattos / Agencia RBS

Arena ainda não é do Grêmio: Os R$ 101 milhões que separam o clube da posse definitiva

Segundo o jornalista Jocimar Farina, o Grêmio já assumiu a gestão da Arena antecipadamente graças ao aporte de R$ 145 milhões do empresário Marcelo Marques, que quitou a dívida da construção do estádio e antecipou todos os valores que a Arena Porto-Alegrense ainda tinha a receber. Com isso, o clube passou a administrar o estádio em 2025, algo que originalmente só ocorreria em 2034.

No entanto, assumir a gestão não significa ser o proprietário definitivo da Arena. Para se tornar dono do estádio “de fato e de direito”, o Grêmio ainda depende da chamada troca de chaves: entrega do Estádio Olímpico aos atuais proprietários da Arena e recebimento da propriedade integral do complexo do Humaitá.

Foto: divulgação

Atualmente, os proprietários formais da Arena são as empresas Karagounis e OAS 26, conforme previsto no contrato original. A Karagounis já aceita negociar com o Grêmio, mas isso resolveria apenas metade do problema. Se a troca de chaves ocorresse apenas com ela, o clube ficaria com apenas 50% da Arena e continuaria responsável por 50% do terreno do Olímpico.

O principal obstáculo é a OAS 26, que condiciona o acordo à definição de quem assumirá obrigações que originalmente cabiam à antiga OAS:

  • Demolição do Estádio Olímpico, estimada em até R$ 30 milhões;
  • Obras do entorno da Arena, avaliadas pela prefeitura em R$ 65 milhões;
  • Dívida de ITBI de aproximadamente R$ 17 milhões, referente à transferência de parte do terreno da Arena.

Esses três valores somam cerca de R$ 112 milhões, mas a reportagem considera um desembolso necessário de aproximadamente R$ 101 milhões, valor que permitiria destravar a negociação e realizar imediatamente a troca de chaves.

Detalhes dos passivos

Demolição do Olímpico

  • Custaria até R$ 30 milhões.
  • A Coesa, que adquiriu a parte imobiliária da antiga OAS, era responsável pela limpeza do terreno da Azenha, mas não quer mais executar o serviço.

ITBI

  • A Coesa/OAS possui débito de cerca de R$ 17 milhões com a prefeitura referente ao imposto sobre a transferência de parte do terreno da Arena.
  • A OAS 26 busca o perdão dessa dívida para concluir o negócio.

Obras do entorno

  • Orçadas em R$ 65 milhões.
  • Incluem principalmente o prolongamento da Avenida A.J. Renner e a conclusão da duplicação da Avenida Padre Leopoldo Brentano.
  • A Justiça gaúcha entende que a obrigação de realizar as obras deve ser convertida em obrigação de pagar por elas.
  • Em 2024, o STJ determinou que esse pagamento saísse da fila da recuperação judicial da Metha (antiga OAS), exigindo quitação imediata, mas a situação permanece sem solução.

IPTU do Olímpico

  • Existe ainda uma cobrança judicial da prefeitura referente ao IPTU do terreno do Olímpico.
  • Em 2025, o valor em aberto era de aproximadamente R$ 6,6 milhões.
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Foto: divulgação / Grêmio

Consequências para o Grêmio

Caso o clube ou um investidor aporte os cerca de R$ 101 milhões, a troca de chaves poderia ocorrer imediatamente, encerrando uma negociação que se arrasta há anos.

Entretanto, do ponto de vista do Grêmio, não há urgência operacional porque o clube já controla a Arena até dezembro de 2033.

O problema surge em janeiro de 2034: pelo contrato, a gestão retorna automaticamente aos proprietários do complexo. Se até lá o Grêmio tiver resolvido apenas a parte da Karagounis, será obrigado a dividir receitas, despesas e decisões da Arena com a OAS 26.

Por isso, o clube aposta que o impasse será resolvido antes dessa data e, paralelamente, articula uma ação em tribunal arbitral para tentar obrigar a OAS 26 a transferir sua participação na Arena.

Outra pendência envolvendo a antiga OAS

Além dos problemas ligados diretamente à Arena, o grupo Metha (antiga OAS) também é cobrado judicialmente por uma dívida de R$ 26,5 milhões (em valores da época) relativa à compra do terreno onde foram construídos os condomínios residenciais do complexo da Arena.

A cobrança é feita pela Federação dos Círculos Operários do Rio Grande do Sul (Fcors) e pelo Círculo Operário Porto Alegrense (Copa), que alegam não ter recebido integralmente pela área onde funcionava a Escola Técnica Santo Inácio. No local foram construídos os condomínios Liberdade I (torres 3, 4, 5, 6 e 7) e Liberdade II.

Segundo a reportagem, essa dívida específica não tem potencial para impedir ou atrasar as negociações da Arena.