FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

“Nada decidido”: mesmo após 3 a 0, técnico do Grêmio freia euforia e projeta batalha no Beira-Rio

Técnico do Grêmio valoriza atuação no clássico 450, promete “entrega total” e reforça que a final ainda está aberta

O Grêmio deu um passo gigante rumo ao título ao vencer o Inter por 3 a 0 na Arena, no clássico 450, mas quem ouviu Luís Castro após o apito final percebeu um discurso longe da euforia. O comandante gremista fez questão de esfriar qualquer clima de “já ganhou” e tratou de colocar o foco no jogo da volta, no Beira-Rio. “Falta uma segunda parte da final, e isso nós temos consciência. Foi um bom jogo, contra um adversário forte que, mesmo com um a menos, não deixou de mirar nosso gol”, avaliou. E completou, exaltando o grupo e a arquibancada: “Parabéns aos jogadores pela forma como atuaram, respeitaram o adversário e à torcida, que foi determinante”.

A vantagem é confortável. O Tricolor pode perder por até dois gols de diferença no próximo domingo e ainda assim levantar a taça. Mesmo assim, o treinador foi direto: “A final está no meio. É melhor estar vencendo por 3 a 0 do que estar perdendo por 1 a 0. Mas, pensando pelo lado do Inter, rapidamente vamos perceber que tudo é possível no futebol”. Para ele, o cenário da volta será outro. “São jogos totalmente diferentes. O Inter vai se atirar de forma bastante forte, não tenho dúvida. Portanto, o jogo vai ser olhado diferente daquilo que foi olhado hoje”.

mesmo após 3 a 0, técnico do Grêmio freia euforia e projeta batalha no Beira-Rio
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Dentro de campo, Luís Castro também explicou decisões que chamaram atenção. Apostou em Monsalve no meio, manteve Enamorado como titular e improvisou Pavon na lateral direita. Sobre o modelo, foi didático: “Hoje o futebol é feito muito pelos corredores. Mesmo times que trabalham com mais posse, como Barcelona e Manchester City, utilizam jogadores pelas pontas”. E rasgou elogios ao argentino: “O Grêmio, com o Pavon, ganha um jogador que faz várias funções. Tem um espírito de entrega, é muito ambicioso, joga onde for preciso”. Apesar de reconhecer ajustes necessários, deixou claro: “Estou satisfeito com ele”.

Por fim, o técnico voltou a bater na tecla do processo. Lembrou a derrota por 4 a 2 no Beira-Rio, na primeira fase, e apontou evolução construída no treino. “O que mudou foi o tempo que o time esteve conosco. Estamos no início de um caminho”. Ao falar da defesa, reforçou o conceito do “triângulo de segurança” com os zagueiros e o volante, valorizando desempenho diário acima de currículo. “O mais importante são os dados diários. Não é o respaldo o tempo todo, é o agora”. Recado claro. A vantagem existe, mas o Grêmio de Luís Castro quer mais do que resultado: quer convicção.

 mesmo após 3 a 0, técnico do Grêmio freia euforia e projeta batalha no Beira-Rio
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